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"Let's play God!"

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 31.03.09

Let's play God tonight!, foi o que o Reverendo T. Lawrence Shannon (Richard Burton) disse à Hannah Jelkes (Deborah Kerr) naquela “Noite da Iguana” (1) quando resolveram libertar o animalzinho preso. Mas na realidade nunca me pareceu que eles estivessem a fazer-se passar por Deus nessa noite das confidências (e das redenções). A mim sempre me pareceu que, pelo contrário, estavam a seguir as leis da natureza (ou do Universo). Assim como eles eram criaturas que queriam ser absolutamente livres, e que nem conseguiam viver, respirar sequer, em cativeiro, também a iguana não devia estar presa. (2)


É o que John Silva, o nosso luso-descendente, me tem tentado explicar ultimamente através de mensagens simples que envia pelo Simulador:
A maioria dos políticos do vosso tempo quer 'to play God' sem sequer entender as leis da natureza nem as leis do Universo. Não fazem ideia de que Inteligência ele é feito. Como essa energia brutal, magnífica, pode ser dirigida num determinado sentido, para determinada missão... Quando se arma em Deus é para possuir, manipular, deixar a sua pegada histórica que é sempre mesquinha e medíocre, porque implica sempre a domesticação e subjugação de outros, da mesma espécie, e nunca a sua libertação.


Esta mensagem recente, por exemplo, pode parecer moralista. Mas não há nada de moralista no John Silva, absolutamente nada. Nem o seu tempo, nesse futuro longínquo, pode incluir o moralismo, seja de que tipo for.
Se eu te disser que há a possibilidade física de modificar as condições vitais de todo um planeta, para o tornar habitável, um processo de regeneração lento é certo, mas que isso é possível... ou que se podem modificar frutos, da forma mais natural, que melhoram certas funções corporais... ou criar pequenos organismos em laboratório com finalidades terapêuticas, e nada disto é comerciável, porque a organização social actual já não segue a lógica às fatias do vosso tempo... Tudo isto é possível não porque se 'play God', mas porque se perceberam as simples leis da natureza que estão de acordo com as leis do Universo. E isso só será possível com uma nova Inteligência.


Imaginei John Silva, na sua cápsula, com a sua equipa, a sobrevoar em silêncio, absoluto silêncio, este mesmo planeta que, nesse tempo, está em processo de regeneração, o tal processo lento... talvez a mordiscar distraidamente um fruto, também ele regenerador, e a sonhar com a possibilidade de pisar um daqueles desertos, sentir o ar quente nos pulmões, ou viajar com o fato térmico até àquela região da velha Europa...
Esta nova Inteligência não se impõe, aceita-se naturalmente, há uma sintonia. Ninguém questiona a universalidade do direito à existência, ninguém é excluído. Mas também ninguém é forçado a nada. A fórmula social que permite que isto seja possível é tão simples que até uma criança entende.


Não consegui deixar de sorrir ao ler esta última frase. Ah, os políticos que gostam de to play God, e nem me estou a referir à política caseira, estou a pensar na Europa e nos States... sem sequer perceberem as simples leis da natureza (que estão de acordo com as leis do Universo...)

 

 

(1) filme de John Huston (1964), a partir da peça de Tennessee Williams.

(2) sempre pensei que iguana se dissesse no feminino: a iguana, em vez de o iguana. Será um erro grave deixar assim?

 

 

publicado às 07:16

Quem tem medo da blogosfera? (cont)

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 25.03.09

Ora cá estou eu de novo a tentar delimitar alguns perfis mais frequentes de bloggers. É claro que estas fronteiras são artificiais e que podemos encontrar características de diferentes perfis num único blogger. Também a amostra não é representativa, tem a ver com as minhas deambulações pela blogosfera portuguesa.

 

Recapitulando, já isolei, digamos assim, 6 perfis de bloggers. Lembrei-me entretanto de outros. Aí vai:

 

Tipo G - o blogger criativo: o que se exprime de forma absolutamente original, misturando por vezes realidade e ficção, conseguindo sínteses interessantes. É essencialmente um autor, seja na literatura, poesia, BD, cartoon, música, fotografia, vídeo, pintura, design, etc. De certo modo, o blogue funciona como um espaço de edição ou exposição.

 

Tipo H - o blogger-fã: aquele que se interessa por uma área específica. Sempre muito bem informado, refere tudo o que vai descobrindo para partilhar com outros fãs. Trocam informações, ideias, opiniões, formando uma espécie de clube virtual. Podem até estender essa comunicação à vida real com encontros periódicos ou ocasionais. Ex.: os vavavianos, no cinema. Haverá certamente outros na BD, fotografia, desporto, protecção da natureza, jardinagem, cozinha, etc.

 

Tipo I - o blogger profissional: em que o blogue funciona como apresentação e divulgação da sua actividade profissional. O blogue tem muitas potencialidades a este nável, porque permite manter uma comunicação com potenciais clientes, abrir um espaço para sugestões, inquéritos, questionários, etc.

 

Tipo J - o blogger regional: o que divulga a sua região. Também aqui o blogue é um meio interessante. Já visitei alguns e gostei de me demorar nas caixas de comentários. Porquê? Porque lá encontramos trocas de cumprimentos, entusiasmos, memórias, nostalgias, e até saudades. Mas também algumas questões muito práticas, reclamações fundamentadas, sugestões e formulações de desejos. 

 

E devo estar a esgotar os perfis que encontrei. Falta um, muito significativo na blogosfera:

 

O blogue-diário: aqui o blogger exprime e partilha o que lhe vai na alma. Alguns são muito pessoais. Por isso aqui é compreensível que o blogger se refugie no anonimato. Como um diário, é o desenrolar de um fio, com pensamentos, sentimentos, emoções, e experiências pessoais. Alguns destes bloggers exprimem-se de forma poética, muito próxima da criação literária. Outros são muito mais terra-à-terra. Seja como for, são muitos na blogosfera e terão tendência para se expandir. Porquê? Pelas próprias condições em que actualmente se vive a cidade, o trabalho, os afectos. É uma forma de resolver a necessidade de comunicação num cenário solitário. É também uma forma de encontrar respostas a perguntas vitais. Também vital o sentido de pertença a uma comunidade. 

 

Quanto a possíveis diferenças entre bloggers, no masculino e no feminino, ainda não tenho dados suficientes. Dos que já visitei, parecem distinguir-se mais no conteúdo do que na forma. Posso desde já arriscar o seguinte em termos gerais:

 

a) os bloggers no masculino interessam-se mais por futebol e desporto; e no feminino, pela manutenção da forma, ginásios, yoga, spas, cremes, etc.

 

b) os bloggers no masculino dedicam mais posts à política e à economia e no feminino, às relações sociais e a questões comunitárias.

 

c) nos blogues, os homens recorrem com mais frequência ao humor e as mulheres a um registo poético.

 

Claro que estou a falar em termos gerais. Há mulheres a revelar um humor bem naughty, que coloca o dos homens no plano de rapazinhos. No geral, eles são mais brincalhões e descontraídos e elas mais lamechas e afectivas.

 

Quanto às novas gerações: distinguem-se por um discurso mais rápido e frenético, adaptado ao tempo sincopado do futuro. Neles, a inteligência parece ter esticado até às articulações todas. A sua linguagem já importou termos do inglês e das funcionalidades tecnológicas. As suas frases são mais curtas e soltas. São mais descontraídos e autênticos, não se refugiando tanto em máscaras sociais. Isso é essencial para conseguir a autonomia possível num mundo cada vez mais domesticado. E ainda conseguir o seu espaço numa sociedade que os quer condicionar. De facto, esta nova geração parece querer resistir a papéis limitativos. Desdenha de certo modo a cultura-espectáculo. Já estão noutra dimensão. Espero que mantenham a genica e a irreverência q.b. para construir um outro futuro, mais criativo.

 

E falta apenas, para já, responder à questão inicial: Quem tem medo da blogosfera?

Sim, mas para isso ainda preciso de me demorar nas críticas à blogosfera para deduzir as razões que as sustentam. E para isso hoje já não tenho tempo nem pedadalada.

 

 

Obs.: Oh, oh... E ainda me falta abordar os blogues colectivos...

 

 

publicado às 07:14

Quem tem medo da blogosfera?

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 24.03.09

Como já aqui disse, a blogosfera veio abrir espaço a vozes que nunca teriam lugar nas habituais formas de expressão informativa, cultural, social, política, artística, literária, humorística, e até científica.

Sobretudo num país culturalmente fechado como o nosso, este meio veio refrescar o ambiente, abrir portas e janelas para o ar entrar.

As críticas que lhe atribuem referem-se essencialmente, e segundo percebi, à falta de rigor das informações e à falta de respeito pelos visados. Penso que se referem essencialmente às questões socio-políticas.

É certo que, tal como na sociedade em geral, encontramos diversos perfis de bloggers. Mas lá chegaremos, às verdadeiras razões de algumas críticas. 

 

Pelas minhas deambulações blogoféricas, posso já avançar com alguns perfis de bloggers mais frequentes:

 

Tipo A: ama a verdade acima de tudo e não tem papas na língua, doa a quem doer; geralmente, é muito criterioso e está muito bem informado. Sendo autónomo no pensamento e na forma de estar, também não pretende influenciar quem o lê, apenas exprimir o que pensa.

 

Tipo B: ama a verdade acima de tudo mas é diplomata na forma de a revelar; igualmente criterioso no conteúdo e na forma. Geralmente está muito bem informado. Tal como o perfil A, não pretende influenciar ninguém, mas sobretudo comunicar. Gosta de debates de ideias.

 

Tipo C: procura a verdade, com base científica e rigorosa. A sua forma de comunicar aproxima-se da do professor, tem uma motivação pedagógica. Adora debates de ideias, e respeita sempre o interlocutor. Às vezes recorre a referências de outros autores e estudiosos e compõe sínteses criativas. Pode até recorrer ao humor e sempre com bons resultados.

 

Tipo D: ama a comunicação acima de tudo, é isso que o move. A troca de ideias, a provocação, a diversão. É mais descontraído do que os perfis anteriores e aborda os temas sempre de forma interessante e criativa mesmo que não os aprofunde. Mas não confundir com superficialidade. Os seus interesses são mais vastos, talvez seja por isso: interessa-se por tudo e mais alguma coisa que se refira à vida comum e às pessoas. De certo modo, aproxima-se do perfil artístico. 

 

Tipo E: o lado B do perfil A. O que o move é destrutivo. E pretende amolgar o visado. Obsessivo e doentio. Pode estar bem informado, mas terá sempre o mesmo público, quem aprecia magoar o próximo pelo simples prazer sádico de ferir. Não me surpreendia saber que gravita no poder, seja a que nível for.

 

Tipo F: o lado B do tipo C. A sua motivação não é pedagógica mas evangelizadora. Quer doutrinar. O seu público ficará sempre limitado a quem gosta de ser doutrinado. É obcecado por temas específicos ou por determinados alvos. Muito cansativo e repetitivo.

 

 

Penso já ter abordado alguns dos perfis mais frequentes, pelo menos os que encontrei nas minhas viagens, mas sei que me falta ainda um ou dois. 

Também gostaria de comparar ao de leve a blogosfera no masculino e no feminino.

Não sei se é possível, mas gostava de analisar o estilo próprio de diversas gerações de bloggers.

Assim como os blogues no singular e no colectivo. O espírito comunitário de alguns blogues é verdadeiramente interessante e revela imensas potencialidades. 

 

Entretanto, irei também à procura de posts sobre este tema para linkar. É isto: desde que um amável blogger do perfil tipo D, e de uma nova geração criativa, me ensinou a linkar... já não parei de o fazer aqui.

 

 

publicado às 07:46

A Primavera, pela voz de Natércia Freire

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 22.03.09

De Natércia Freire escolhi um poema, Primavera em Janeiro, porque também eu, este ano, antecipei o florir de flores, cansada de inverno.

Conheço esta voz encantatória desde a infância, e dela decorei mesmo um poema, Dai esmolas a Pedro-Sem, que a minha mãe me sugeriu, sem parecer perceber que talvez não pudesse abarcar todo o seu significado. A minha mãe sempre me viu como capaz de perceber tudo, é o que a mim me parece hoje ao olhar para trás. E, quem sabe?, talvez na infância já tenhamos percebido tudo, mesmo sem termos as palavras para o definir.

O poema Dai esmolas a Pedro-Sem não aparece nesta Obra Poética, volumes I e II, com Prefácio de David Mourão-Ferreira, que entretanto adquiri, mas continuarei à sua procura.

 

 

                                       "A Primavera em Janeiro

 

A Primavera anda longe,

mas eu a sinto nos dedos

da noite que se aproxima:

murmúrio de olivais

e a relva verde-fresca;

sol retardado, a pôr-se, embrulhado em mistério;

rumor de água a correr, na Terra gigantesca.

 

E eu tão pequena, tão solitária, tão imensa,

no silêncio acordado desta Casa da Estrada!

Eu a perder-me na adivinhação do Mundo;

a esconder-me entre os troncos tristes das oliveiras;

a debruçar-me no espelho das correntes

que irão banhar, talvez, os continentes

do meu exílio, em pátrias prisioneiras...

 

Ninguém me fale de beleza na Primavera!

É no Inverno que ela sempre me chega,

a erguer nos meus olhos a visão de bosques azuis...

 

Eu podia ser cega,

eu podia não ter tido nunca mocidade,

eu podia ignorar o cântico dos pássaros

nas madrugadas felizes,

que, ao avistar no espaço a Primavera,

quando todos os sonhos dormem,

e todas as mulheres são virgens,

e todos os homens são imaculados,

quando os doentes têm medo de morrer,

quando o ranger dos velhos carros,

nos caminhos da quinta, me ressuscita a infância,

a saudade da Primavera que há-de vir

e que, depois da chegada, nunca será aquela que sonhei,

cola-me na vidraça esta fronte sem estrelas,

- tão pequena, tão só, como podia eu tê-las?

Ergue-me o peito vasto,

desnuda-me sem luta...

 

Eu não escuto o silêncio,

e já ninguém me escuta.

Ao fundo, a Primavera

- que atónita ela vinha! -,

acenou-me de manso

na tardinha...

 

Mas fugiu da mulher

com olhos de adivinha... " (1)

 

 

Voltarei aqui a Natércia Freire porque de certo modo me acompanha desde a infância e eu tenho esta fidelidade quase poética a tudo o que aprendi a amar. Mas não é só por isso. Natércia Freire abre todo um universo à nossa frente. Eu diria que fala de abismos, mesmo quando fala da vida, da paixão, da irmandade universal. É todo um universo muito claro e assustador, porque geralmente fugimos do sol que nos ilumina. Esta mulher não foge, agarra-o, deixa-se preencher de sol...  (2) 

 

 

(1) Natércia Freire, Obra Poética, volume I, colecção: Biblioteca de Autores Portugueses, edição Imprensa Nacional - Casa da Moeda. Este poema, da pág. 91, foi um dos seleccionados do Anel de Sete Pedras (1952).

(2) Não, ainda não enlouqueci. Acho até que estou cada vez mais lúcida. Mas claro!, qual é o louco que assume a sua loucura?

 

publicado às 11:23

Ainda apanhei a notícia na CNN, sobre o aniversário da imposição da lei marcial em Lhasa. E o representante oficial do Dalai Lama a ser entrevistado por uma jornalista que insistia em saber se o Dalai Lama estava desiludido com a situação actual. Há perguntas desnecessárias. Outra: se o Dalai Lama se considerava pessoalmente responsável pelo insucesso do processo de autonomia. Enfim...

 

O que me deixou mais preocupada foi a pergunta sobre a sua débil saúde. (1) Mas o representante oficial insistiu que estava de boa saúde. A pergunta que me comoveu mais foi se haveria alguma possibilidade de o Dalai Lama ainda ver (em vida, claro está), a situação do Tibete resolvida. 

 

Por isso as palavras de Richard Gere também me comoveram: "Não consigo imaginar um mundo sem a existência da experiência do Tibete".  (2)

Nem eu. O mundo está a limpar sistematicamente todas as culturas pacíficas que ainda vão resistindo. Em breve todos esses vestígios milenares farão parte de museus. A barbárie instala-se através da violência e da rudeza das novas culturas, por mais tecnológicas que se apresentem.

 

Fui ao seu lugar, para retirar a notícia deste triste aniversário:

 

Dharamsala, HP, India, 8 March 2009 - His Holiness the Dalai Lama presided over a prayer offering at the Main Temple to mark the anniversary of the imposition of martial law in Lhasa, Tibet on 8 March 1989. Prayers were offered for all those Tibetans killed inside Tibet as well as those who continue to suffer. His Holiness later addressed a three-day meeting of the leaders of Tibetan Buddhist schools being held in his residence.
Published: Saturday, 7 March, 2009

 

 

 

(1) Ainda vi imagens da sua visita a Washington em que se percebia que caminhava com alguma dificuldade, apoiado pelo braço de McCain. 

(2) A expressão por ele utilizada foi mesmo Tibet experiment. Interessante perspectiva.

 

 

publicado às 00:55


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